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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Aprovado no Enem, jovem do interior do RN segue tradição e é o 37º da família a cursar medicina

Filho de pai agricultor e mãe diarista, João Carlos Bessa Fernandes passou em 7º lugar no curso na UFRN. Estudante é do município de Taboleiro Grande, na região Oeste

João Carlos Bessa Fernandes, de 17 anos,
foi aprovado em medicina no Enem. A mãe
dele é diarista (Foto: Cedida)
O estudante João Carlos Bessa Fernandes, de 17 anos, realizou o sonho de ser aprovado no curso de medicina no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no início deste ano. Aluno de escola pública durante toda a vida, o jovem nascido e criado na cidade de Taboleiro Grande, município de cerca de 3 mil habitantes na região Oeste do Rio Grande do Norte, passou em 7º lugar no curso na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e manteve uma tradição familiar: ele é o 37º 'Bessa' a estudar para ser médico.


A tradição começou na década de 1990. E, desde 2004, a família aprova pelo menos um integrante nos cursos de medicina Brasil afora: são 15 anos seguidos. "Meu tio, Jacob, foi o primeiro a ser aprovado na família. Isso ainda na década de 1990. Desde a lá começou essa tradição. Neste ano, comemoramos 15 anos de aprovações consecutivas", contou João Carlos.

Entre os parentes que passaram para a graduação durante todo esse período, estão tios e, principalmente, primos, explica João, que inclusive teve o primo Yuri César Bessa, de 22 anos, aprovado no curso numa faculdade particular de Mossoró também neste ano. No seio familiar mais próximo, no entanto, ele é o primeiro a ter a oportunidade de estudar medicina.
 
João Carlos Bessa (de verde) e o primo
Yuri, também aprovado em medicina
(Foto: Cedida)
Filho do agricultor Carlos Bessa Cavalcante e da diarista Maria José da Silva Fernandes, o jovem fez o ensino fundamental na Escola Municipal Abraão Cavalcante Bessa e o médio na Escola Estadual José Cláudio Alves. E agora comemora a aprovação no colo da família. "Foi a maior felicidade da vida deles essa aprovação, já que eles nunca tiveram essa oportunidade de estudar", comentou o jovem.

Apesar da origem humilde e da vida escolar no ensino público, ele confiava na aprovação. No ano passado, concluiu o ensino médio com 16 anos e passou em 3º lugar no curso de direito da UFRN, mas optou por não cursar e seguir o sonho. Assim, conseguiu uma bolsa em um cursinho particular em Fortaleza (CE) e se dedicou o ano inteiro para buscar a vaga em medicina. "Eu sempre fui bastante otimista. Mas é claro que sempre paira a dúvida depois que você faz o Enem. Mas eu sabia que estava me preparando", disse.

Sobre as táticas de estudo para a aprovação no curso tradicionalmente mais concorrido da UFRN, João Carlos explica não ter tanto mistério. "Eu não tinha exatamente um plano. Minha estratégia era sentar a bunda na cadeira e estudar. Às vezes até 12 horas por dia".

G1 RN

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