Rádio Cenecista de Picuí

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Dinheiro falso é vendido em grupos na internet e entregue pelos correios

Na internet, há também anúncios de vendas de notas falsificadas nos grupos do Facebook
Imagem: Reprodução 
O dinheiro de mentira é entregue na casa do comprador
Comprar e vender na internet tem se tornado cada vez mais comum. O problema é quando estes espaços virtuais se tornam ‘terra’ sem lei, onde se pode comercializar o que bem entende a qualquer hora do dia. A nova onda, que já tem chamado atenção de usuários das redes sociais, são os esquemas de vendas de cédulas falsificadas, pessoas que prometem entregar, via Correios, réplicas de notas em troca de dinheiro real.


O Correio recebeu uma denúncia de um internauta e teve acesso ao esquema de negociação de notas falsas. Os preços da compra das cédulas variam de R$ 250 a R$ 800. Com o pagamento do primeiro valor, o vendedor promete entregar R$ 3,5 mil. Já o pagamento de R$ 800 rende R$ 18 mil em notas falsas. A negociação, conforme apurado pela reportagem, acontece em grupos fechados nas redes sociais. Ao aceitar a transação, o comprador transfere o valor combinado ao vendedor das notas inválidas conforme o pacote escolhido. O dinheiro de mentira é entregue na casa do comprador. Dados bancários e nome do vendedor são repassados sem qualquer sigilo.

O artigo 289 da Lei nº 2.848 de 1940 prevê pena de reclusão de três a 12 anos, além de multa, para quem falsificar, fabricar ou alterar moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no País ou no estrangeiro. Ignorando a lei, a negociação da venda online de dinheiro falso acontece sem nenhuma cerimônia.

Na negociação denunciada ao Correio, o vendedor garante: “São réplicas de primeira linha. Têm todos os itens de segurança incluídos, como marca d’água”. O vendedor diz ainda que as cédulas passam no teste da luz negra e da caneta. “Só não aconselho passar elas no banco”, orienta. Ele informa ainda que têm cédulas envelhecidas, enviando fotos e vídeos dos ‘produtos’.

Um dos usuários a presenciar este tipo de negociação foi João Silva (nome fictício), que está em diversos grupos de negociação online. Ele afirma que as comercializações ilícitas estão cada vez mais comuns, mas nunca procurou as autoridades para fazer qualquer denúncia. “Estou em alguns grupos: de planos de celular, roupas, etc. e sempre aparece esse tipo de negociação: notas falsas, cartões clonados, CNH falsificada. Nunca denunciei e nem acho que alguém vá reclamar na polícia que comprou notas falsas e não recebeu”, disse.

Na internet, há também anúncios de vendas de notas falsificadas nos grupos do Facebook. Em um deles, o Bazar Feira da Prata no Face, o vendedor anuncia: “As melhores notas fakes, feitas no papel moeda, com marca d’água e alto relevo. Também faço aprovação de cartão clonado, posso colocar o limite que quiser”, diz o texto, acompanhado por imagens das cédulas de mentira.

Sem resposta
O CORREIO procurou a Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) para saber sobre as penalidades e denúncias a respeito da venda de dinheiro falso. No entanto, os policiais informaram que, por se tratar de crime federal, somente a Polícia Federal (PF) investiga e pode comentar o assunto.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da PF/PB, desde a última quinta-feira, para saber as dificuldades em se combater este tipo de crime, bem como para saber se há em curso investigações sobre estes esquemas criminosos. Mas, não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Correio da Paraíba

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