Rádio Cenecista de Picuí

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Nova Palmeira foi assim!!!

Por Halder Klay Pinheiro
Foto: Reprodução/Arquivo
Nova Palmeira nos anos 70
Quem não teve oportunidade de vivenciar uma Nova Palmeira, não tão distante, deve achar estranho quando muita gente fala com nostalgia dos tempos idos. Ao lembrar da até então, pacata cidadezinha, embrenhada em meio a Caatinga do Seridó paraibano, são muitas as histórias para contar.


Cada época teve o seu glamour e foi vivida com contentamento. Os anos 50, 60, 70, 80 e 90 passaram, mas, as recordações ficaram, deixando uma imensa saudade.


Zizi operando o gerador
(Foto:Reprodução/Arquivo)
Um dos períodos lembrados regularmente é o tempo em que Nova Palmeira vivia às escuras. Foi uma fase boa para quem teve oportunidade de testemunhar. O gerador com motor diesel, que foi operado por José Francisco Medeiros (Zizi) e tempos depois por Uede, fornecia luz, que funcionava das 18h00 às 21h30. Depois de piscar umas três vezes, em intervalos com cerca de três minutos, o equipamento era desligado. Era dar a primeira piscada e a turma sair correndo atrás do lampião, vela ou lamparina.

A máquina que funcionava uma época, ficava quebrado outra, começou a operar em 1956 e só deixou de atuar com a chegada da luz elétrica no ano de 1967, quando Nova Palmeira já contava com quatro anos de emancipação política.

O que dizer do Forró de Adonias? que ‘mexeu e remexeu o esqueleto’ de muita gente, entre 1971 e 1986. Era um tempo em que não se tinha a malícia atual, onde, na falta de um companheiro, a mulher chamava a colega para dançar sem propiciar alarde. Tudo era normal e a diversão predominava.

Na pegada do Forró de Adonias, Sebastião Antônio de Oliveira (Tião de Zé Barreto) fez surgir a Palhoça Vig Som, que rompeu os anos 80 e 90, vingando até meados dos anos 2000.

A balada de Nova Palmeira teve ainda a Boate Baluarte e a HM Casa Show, esta última, recentemente extinta.

Tradição também se dava aos domingos, com as animadas feiras livres, que chegava em sua maioria da cidade de Picuí, sendo transportadas nos carros particulares e, principalmente em cima do Caminhão Misto. Logo cedinho as barracas eram montadas na rua Almisa Rosa, guardando suas lonas depois do meio-dia.

Gaiola da escola estadual
(Foto: Reprodução/Arquivo)
Memória viva também se faz com o parquinho existente na Escola Estadual Nova Palmeira, que era ponto obrigatório da criançada se divertir. Quem na época nunca brincou na gaiola ou no escorrego?

No esporte, Nova Palmeira viveu seus momentos de glórias com o Palmeiras, de José Lucas de Barros (Zé Barros), nas décadas de 70 e início dos anos 80. Neste período, participou de competições amadoras de grande destaque na Paraíba. O selecionado teve como grande nome, o craque da cidade de Campina Grande, Clidenor de Albuquerque Farias, ou simplesmente Dinor. Atacante de habilidade incomum, ótima velocidade, aliada a um cabeceio e chutes potentes (com os dois pés), ele é considerado, ao lado do zagueiro Osmari dos Santos Pinheiro (Barri), como os principais atletas do futebol nova-palmeirense. Dinor foi vítima de uma das maiores tragédias já registradas no município, quando aos 26 anos, em julho de 1987, perdeu a vida em um acidente automobilístico. Hoje, ele empresta seu nome ao estádio de futebol municipal.

Outros grandes craques, como João de Deus de Oliveira (João Ribeiro), Severino Bezerra de Medeiros Filho (Bêu) e o ágil ‘Nêgo Heleno’, também foram de grande importância, fazendo crescer o futebol na terrinha.

No encalço do sucesso do Palmeiras, surgiu o Trintão. Em seguida, em 25 de fevereiro de 1988, um grupo de quatro adolescentes criaram o Internacional Nova-palmeirense, que viria a alegrar as tardes de domingo, em disputados confrontos contra equipes regionais.

Em 14 de dezembro de 1997 chegou a vez do Independente Futebol Clube grifar seu nome na história dos grandes clubes de Nova Palmeira, realizando partidas até os dias atuais.

O Internacional era formado principalmente por jovens (Foto: Reprodução/Arquivo)
Atletas, em esportes individuais, foram destaques no auge dos famosos Jogos Escolares de Cuité, que eram esperados com ansiedade para que os jovens pudessem mostrar suas qualidades. Muitos voltavam a Nova Palmeira com medalhas no peito e eram recebidos com festa pela população, que celebrava as conquistas.

A cidade já contou com um espaço só de cimento (que ficava em frente a antiga igreja de Nossa Senhora da Guia) que, na falta de uma quadra poliesportiva, servia de entretenimento aos desportistas.

Por volta de 1984, chegaram os primeiros televisores que mostravam a programação em cores. Era comum, antes das aulas noturnas, os estudantes escolherem uma casa, e se aglomerarem para curtir ao menos a novela das 18h00, da Rede Globo.

Quem não era afeito às novelas, seguia para praça, conversar e paquerar, antes do toque de chamada para a entrada no colégio.

E o que falar das festas de réveillon? considerada por muitos, como a melhor das comemorações. Era o momento de rever amigos e familiares que fixavam moradia em outros municípios. Todos nas ruas, palhoça ou boate (dependendo da época), contando os segundos para a meia-noite. Estouros de champanhes, abraços e, para aqueles jovens mais afoitos, beijos na boca, que saiam se vangloriando, contando aos amigos com quantas meninas tinham conseguido realizar o feito.

Também foram grande as festas de emancipações políticas. Bandas renomadas realizaram shows memoráveis que trouxeram públicos até hoje inigualáveis. Não menos tradicional eram os desfiles de sete de setembro, marca registrada no município.

Desfile de 7 de setembro (Foto: Reprodução/Arquivo)

Nova Palmeira foi assim! As pessoas se animavam ao chegar a noite para as conversas nas calçadas. Muitas esqueciam as cadeiras no lado de fora e, ao amanhecer, elas continuavam lá.

Hoje a cidade é conhecida por ter um dos maiores carnavais de toda uma região. A conhecida festa da padroeira continua. Porém, a tranquilidade de ficar até altas horas em meio o friozinho das ruas, não existe mais. Tudo está muito diferente, e o fascínio que existia, deixa muita, muita saudades.

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